companheiro de viagem. espaço zen. sombra que me segue. um cantinho que me pertence. não atormenta, nem inquieta. um amigo que ouve e não responde. um silêncio sem som.

Caminho eternamente sobre estas margens,
entre a areia e a espuma.
O fluxo do mar apagará a impressão dos meus passos,
e o vento levará a espuma.
Mas o mar e a margem permanecerão
eternamente.

Kahlil Gibran

quinta-feira, 9 de julho de 2009

o pecado da coco


era uma vez, alguém. sem roupa.
era outra vez, o mesmo alguém. sem roupa. sozinho no nada.
era mais uma vez, ainda o mesmo alguém. sem roupa. sozinho no nada. ou num nada.
era uma outra vez, sempre o mesmo alguém. sem roupa. sozinho no nada. ou num nada. um vazio que só ele sente.

de quantas vezes precisamos para criar o nosso momento perfeito? nenhuma, ou todas. há quem nunca tente, e há outros-quem que nunca sequer aqui chegam. aqui, um sítio que eu não vejo, mas que talvez tu vejas. e se assim for, invejo-te. porque acordo desesperadamente de manhã, com um sentimento ansioso no peito, e olho à volta. paredes. quatro. e se saio, mais paredes vejo. quatro ao quadrado. e o sentimento ansioso no peito.

sou alguém mais que sozinha num nada inexistente. onde roupas se somem. onde vazios se desprendem. num sítio que todos vêm, mas ninguém conhece.

são tantas as vezes. tantas. nem uma, nem mais uma. a matemática falha. perde-se no tempo das funções. pareço um daqueles números complexos. os imaginários, diziam-me. oh, como os odiava! e eles a mim. mas que assim fosse. agora, vê-se. ou não se vê. porque quem se perdeu fui eu e não eles. eles continuam a ser estudados. a servir de inspiração. não sei a quem. talvez a estudantes universitários. ou a algum norte americano que se diz agente de uma organização secreta qualquer. uma qualquer. mais uma organização secreta. de entre tantas outras que ninguém conhece mas ouve falar.

ouve falar. murmurar e sussurrar.
à noite, não tenho pesadelos. mas ouço coisas. coisas. segredos, talvez. só não sei quem os diz. e também não sei o que dizem. que se lixe. se enlouqueci não foi por falta de juizo. foi por saciedade de moscatel. moscatel. sim. porque tenho chegado tarde a casa e visto filmes psicologicamente dramáticos. nada que choque. simplesmente qualquer coisa que faça chorar de saudade. e a minha mão estava vazia. faltava-lhe a tua. a leveza do carinho. não tens saudades minhas? o mundo parece deserto sem ti. ontem pensava ver-te. mas não. e nunca te senti. oh, nunca tiveste saudades minhas? não sabes a falta que me fizeste quando cheguei tarde a casa.

4 momentos:

O Profeta disse...

Ao meu querer!
Dias noites, estações esquecidas
Inventei sonhos para sonhar
Lavei mágoas, dores perdidas

Uma árvore toca as águas da lagoa
O nevoeiro faz desenhos nas cumeeiras
Um Melro negro solta um pio ao acaso
A palavra quero-te diz-se de mil maneiras


Convido-te a ver a Cor da Claridade


Doce beijo

Fred Matos disse...

Passei pra te desejar uma ótima semana.
Beijos

O Profeta disse...

Pintei em traços vibrantes
Aprisionei a beleza e a harmonia
Dancei no sabor de irreverentes matizes
Misturei a aurora com o fim do dia

Um violoncelo soltou duas notas sorridentes
Dançaram as cores de forma trágica
Os pincéis inventaram a doçura do teu rosto
Em movimentos de rodopiante mágica


Boa semana


Mágico beijo

Daniel Aladiah disse...

Querida Soraya
Perdoa a ausência, mas cá estou neste início de férias, que vão ser tão curtas... Boas para ti!
Um beijo
Daniel